Demanda por crédito do consumidor recua em outubro

11:38:16 - 25/11/2021 - Notícias

SÃO PAULO, 11/25/21 - O indicador da Boa Vista de Demanda por Crédito do Consumidor recuou 0,7% entre os meses de outubro e setembro na comparação dos dados dessazonalizados. Na comparação interanual, por outro lado, foi observada elevação de 3,5% e na variação acumulada em 12 meses o indicador enfim, após 18 meses, cruzou a linha e agora aponta alta de 1,4%, ante -0,1% até setembro. O resultado acumulado no ano desacelerou um pouco, passando de 5,8% para 5,5%, mas deve encerrar o ano em alta, muito em função do efeito base, a despeito do aumento no custo do crédito. Vale ressaltar que os segmentos que compõe o indicador se comportaram de formas diferentes no período.

Enquanto no segmento Financeiro os números apresentaram alta na comparação mensal e interanual, de 1,5% e 15,8%, respectivamente, no segmento Não Financeiro houve queda de 2,2% em relação a setembro e de 4,7% em relação a outubro de 2020. Estes dois últimos números vieram na contramão dos resultados verificados um mês antes, quando o indicador do segmento Não Financeiro havia apontado alta de 5,4% na comparação mensal (set/21 x ago/21) e de 19,4% na comparação interanual (set/21 x set/20). Como era de se esperar, o impacto do aumento nas taxas de juros, bem como, do risco e inflação, chegou primeiro nas empresas não financeiras, em sua maioria, mais vulneráveis em relação às financeiras.

Resultados mais tímidos já eram esperados, e mesmo que na análise de longo prazo as curvas apontem para cima, no ano elas já mostram alguma acomodação. Mais do que voltar a atenção aos últimos meses do ano, com datas especiais ao varejo, como Black Friday e Natal, que costumam ter uma relação direta com o crédito, é importante ressaltar que essa acomodação tende a ser mais nítida no ano que vem, uma vez que são aguardados novos aumentos na taxa básica de juros e que as expectativas mais recentes para a inflação já estão muito próximas do teto da meta de inflação de 2022 (4,96% x 5,00%). Soma-se a isso a tendência de elevação na taxa de inadimplência e as projeções cada vez menores de crescimento da economia. Desta forma, em 2022 o efeito base ficará totalmente para trás e alguns fatores que tendem a frear o ímpeto do consumidor se farão presentes, de modo que uma reversão nas curvas não seria nenhuma surpresa.
(MR - Agência Enfoque)

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