Monitor do PIB-FGV mostra queda de 1,0%

10:42:03 - 19/10/2021 - Notícias

SÃO PAULO, 10/19/21 - O Monitor do PIB-FGV aponta, na análise da série dessazonalizada, retração de 1,0% na atividade econômica em agosto, em comparação a julho e crescimento de 0,7% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao findo em maio. Na comparação interanual a economia cresceu 4,4% em agosto e 6,7% no trimestre móvel findo em agosto.

'A economia brasileira continua em trajetória de recuperação em relação a forte queda de 2020 devida à pandemia: até agosto a taxa de crescimento do PIB em 12 meses foi de 3,6%, comparada àquela de doze meses até agosto de 2020 que foi de -3,1. Destaca-se a taxa do setor de serviços que havia sofrido quedas mensais contínuas e elevadas desde março do ano passado até março deste ano e apresenta taxas positivas desde abril com a taxa acumulada em doze meses sendo positiva desde junho, sendo em agosto de 2,6%. No setor de serviços tem relevância a atividade de outros serviços, que representa cerca de 15% do PIB, que chegou a ter taxa mensal negativa de 22,8% e que apresentou taxas positivas elevadas desde abril deste ano. Este desempenho se deve à maior abrangência da vacinação que possibilitou a maior interação entre as pessoas com idas a hotéis, bares, restaurantes, viagens, etc. Isto é compatível com o consumo de serviços por parte das famílias que no mês de agosto cresceu 8,2%', afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

Neste relatório, foi realizado exercício adicional com relação a série com ajuste sazonal uma vez que a pandemia de Covid-19 exerceu influência nos fatores sazonais de 2020 que podem não estar realmente relacionados a sazonalidade.

Alguns institutos de estatística internacionais estão analisando esses impactos e, por esta razão, além do ajuste sazonal habitual que contempla o período de janeiro de 2000 a agosto de 2021, foi realizado adicionalmente o ajuste sazonal para 2020 e 2021 considerando os fatores sazonais referentes a 2019 e o fator calendário corrente.

Os resultados mostram que, caso os fatores sazonais da série do PIB utilizados sejam aqueles do período de 2000 até 2019, a taxa de variação em agosto de 2021 seria de -2,3%, inferior à de -1,0% observada considerando todo o período de 2000 até agosto de 2021. Esses resultados sugerem que as taxas ajustadas sazonalmente devem ser analisadas com cautela pois a pandemia pode ter influenciado os fatores sazonais não apenas por razões econômicas como também estatísticas.

Análise desagregada dos componentes da demanda

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 6,5% no trimestre móvel findo em agosto em comparação ao mesmo período do ano passado. Esse resultado foi influenciado, principalmente, pelo crescimento de serviços (9,8%). Na série com ajuste sazonal o consumo das famílias apresentou crescimento de 1,9% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao findo em maio.

Formação bruta de capital fixo

A FBCF cresceu 18,5% no trimestre móvel findo em agosto em comparação ao mesmo período do ano passado. Todos os componentes mantiveram trajetória de crescimento. Entretanto, na série ajustada sazonalmente a formação bruta de capital fixo apresentou retração (3,5%) no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao findo em maio.

Exportação

A exportação apresentou crescimento de 3,0% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao mesmo período do ano passado. Apenas os componentes da agropecuária e da extrativa mineral não contribuíram positivamente para esse crescimento. Na análise da série dessazonalizada a exportação apresentou retração de 7% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao findo em maio.

Importação

A importação apresentou crescimento significativo de 32,7% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao mesmo período do ano passado. Esse resultado foi influenciado, principalmente, pelo elevado crescimento de bens intermediários (40,8%).

Monitor em valores

Em termos monetários, estima-se que o PIB no acumulado do ano até agosto de 2021, em valores correntes, foi de 5 trilhões, 680 bilhões e 7 milhões de reais.
(MR - Agência Enfoque)

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