Corrente de comércio apresenta o maior valor da série

08:11:46 - 15/06/2021 - Notícias

SÃO PAULO, 6/15/21 - Em maio, a corrente de comércio (exportações mais importações), assim como no mês passado, registrou o maior valor na série histórica iniciada em 1997, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Em relação a maio de 2020, a corrente de comércio cresceu 58,2% atingindo o valor de US$ 54,6 bilhões. O mesmo desempenho teve a balança comercial com saldo positivo de US$ 9,3 bilhões, o maior na série histórica e US$ 2,5 bilhões acima do valor de maio de 2020.

No acumulado do ano até maio, o supéravit comercial de US$ 27,1 bilhões foi o maior na série histórica e a corrente de comércio registrou o segundo valor mais elevado, com US$ 190,2 bilhões, inferior em US$ 1,1 bilhão ao de 2013. Em relação ao acumulado de maio de 2020, o superávit comercial aumentou em US$ 11,1 bilhões e a corrente de comércio aumentou em 26,2%, cujo resultado foi de US$ 42,6 bilhões.

A principal contribuição para o saldo positivo da balança comercial foi da China, com superávit de US$ 19,1 bilhões, o que representa 70,4% do saldo global. Após a China, saldos positivos foram registrados nos demais países da Ásia e na América do Sul.

Os índices de comércio exterior mostram variação positiva nos três grandes setores da indústria tanto na comparação interanual mensal como na do acumulado. Chama atenção a variação mensal acima de 10% em todos os setores tanto nas exportações como nas importações. O aumento das importações, mesmo num cenário de câmbio elevado será ressaltado.

Resultados dos índices do Comércio Exterior
Para o aumento no valor exportado de 53,8% na comparação interanual do mês de maio, a principal contribuição foi dos preços que cresceram 40,1%. No caso das importações, o valor aumentou em 65,3% e a principal contribuição foi do volume, com aumento de 42,1%. Na comparação entre os acumulados dos anos até maio, as exportações aumentaram em 30,6% e as importações, 20,9%. Os preços continuam liderando o aumento do valor das exportações e o volume, o das importações.

A maior variação dos preços de exportações comparados com os de importações levou a um aumento de 20,4% dos termos de troca entre os meses de maio de 2020/2021. A pequena queda (0,3%) observada entre maio e abril, é explicada pelo recuo dos termos de troca entre abril e março.

O desempenho exportador no mês de maio, assim como ocorreu em abril passado, foi liderado pelo volume das não commodities, com variação de 33,8%, enquanto o das commodities, embora positivo, foi de 12,9%. No quesito preços, as commodities saem na frente com variação de 38,5%. No acumulado do ano, o mesmo resultado é observado, com a liderança em volume das não commodities e nos preços, das commodities.

A análise por tipo de indústria mostra que no acumulado do ano, a indústria de transformação lidera o aumento do volume exportado, com crescimento de 10,3%. Os dez principais produtos exportados foram açúcar e melaços, farelos de soja, carne bovina, combustíveis, celulose, carne de aves, semi-acabados de ferro ou aço, ouro não monetário, ferro gusa e veículos de passageiro. Observa-se que, exceto os automóveis, todos os outros podem ser classificados como commodities. Se avaliarmos os 20 principais produtos exportados, estão presentes instalações para equipamentos de engenharia, aeronaves, partes e peças para automóveis e outros veículos de transporte de mercadorias. Nesse caso, os produtos do setor de material de transporte lideram as exportações de maior valor adicionado.

Na análise mensal, o destaque foi o aumento no volume da indústria extrativa, liderado pelo minério de ferro, com crescimento de 24,2% em volume e 106% nos preços. O segundo principal produto, o petróleo, registrou queda de volume, mas aumento de preço de 139%, resultou numa variação em valor de 54%, na comparação interanual do mês de maio.

Na agropecuária, a soja explicou 89% das exportações do setor em maio e 78% no acumulado de janeiro a maio. Café e algodão foram os principais produtos após a soja.

Nas importações, o volume importado da indústria de transformação foi de 45,2% na comparação mensal. Entre os cinco principais produtos importados destacam-se: combustíveis, primeiro da lista, com aumento no valor de 228%, com aumento de volume de 67% e de preços de 97%; em seguida, partes e acessórios para automóveis, quarto da lista, com aumento em valor de 130% e volume, de 125%. Na agropecuária, o trigo respondeu por 37% das importações do setor em maio, com aumento em valor de 53%, com volume em 27% e preços em 21%. Na indústria extrativa, o óleo bruto de petróleo explicou 48% do total das compras do setor, com aumento em valor de 534%, volume 341% e preços 44%.

Os elevados aumentos das exportações na base de comparação mensal, acima de 100% no volume dos bens de capital e bens duráveis de consumo estão associados, principalmente, às vendas do setor de material de transporte.

Comportamento similar é identificado na análise do volume importado na comparação interanual do mês de maio, em termos do crescimento das compras de bens duráveis de consumo e bens de capital. No entanto, deve ser ressaltado o aumento de 47,9% nas compras de bens intermediários pela indústria, um sinal positivo para o nível de atividade.

Nas exportações, as exportações de veículos automotores e gravações se destacam. Nas importações, se destacam os produtos farmacêuticos, produtos de fumo, produtos têxteis, fabricação de coque, fabricação de veículos automotores e fabricação de móveis, que registram aumentos entre 40% e 50%.

As informações sobre volume importado de máquinas pela indústria e a agropecuária indicam contribuição positiva do setor externo para a taxa de investimento nos setores. O aumento de 49,4% no volume importado de bens intermediários pela indústria contrasta com a queda na agropecuária. Sob essa perspectiva, os dados de volume importado na comparação mensal indicam um ritmo de atividade mais intenso na indústria do que na agropecuária.

Ressalta-se o aumento nos volumes exportados para os países da América do Sul, inclusive a Argentina. As vendas do setor automotivo explicam esse resultado. O caso da China merece ser destacado. A participação do país nas exportações brasileiras passou de 32,5% para 34% entre janeiro-maio de 2020 e 2021. Entre esses períodos, a variação no volume exportado foi de 1,4 e a dos preços, 32,3%.

Na Argentina, o aumento do volume foi de 45,1% e os preços 6,5%. Para os outros países da América do Sul, o volume aumentou 31,8% e os preços, 5,8%.

O que explica o dinamismo das exportações para a China, até o momento, é a elevação dos preços e para a América do Sul, o aumento do volume exportado.
(MR - Agência Enfoque)

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