COMÉRCIO: Varejo recua 1,7% em novembro, mostra Índice Cielo
SÃO PAULO, 12/8/25 - Apesar da alta do faturamento de 2,1%, o Varejo brasileiro registrou retração em novembro. A queda do setor foi de 1,7% por causa da inflação. Isso significa que nem mesmo as vendas recordes na Black Friday foram suficientes para compensar os efeitos da alta de preços e a desaceleração observada em diversos segmentos. Foi o sexto mês consecutivo de um desempenho real negativo.
No mês tradicionalmente impulsionado pelos descontos da Black Friday, o grande destaque foi o e-commerce, que cresceu 7,4% em termos nominais (sem descontar a inflação) e se consolidou mais uma vez como protagonista das grandes datas promocionais. A performance digital sustentou o resultado geral do varejo, enquanto as lojas físicas tiveram crescimento nominal de apenas 0,5%, evidenciando um consumidor mais cauteloso no ponto de venda.
O mês também foi marcado por um efeito de calendário que influenciou diretamente o faturamento: novembro de 2025 teve um domingo a mais. O dia de comércio com portas fechadas substituiu uma sexta-feira - que, historicamente, apresenta maior fluxo de vendas no comércio presencial. Essa alteração afetou principalmente o Varejo físico, que depende da circulação de consumidores para impulsionar resultados.
'Novembro reforçou o e-commerce no varejo brasileiro. A Black Friday foi um marco, garantindo crescimento expressivo nas vendas online e sustentando o desempenho do setor em um mês desafiador. Mesmo com efeitos de calendário menos favoráveis e pressão inflacionária, alguns setores demonstraram resiliência e capacidade de adaptação - especialmente no ambiente digital, que segue como protagonista da transformação do consumo', afirma o vice-presidente de Negócios da Cielo, Carlos Alves.
INFLAÇÃO
Além disso, a inflação acima do esperado pressionou o consumo. O IPCA-15 registrou alta de 0,20% em novembro, levemente acima das projeções do mercado, influenciado especialmente pelo avanço de 0,66% no grupo de Serviços.
No entanto, em 12 meses, o indicador mostra uma desaceleração da inflação. O índice acumula variação de 4,5%: exatamente no limite máximo da meta brasileira. Em outubro, estava em 4,94%.
Entre os itens que mais pesaram no orçamento das famílias, destacam-se as passagens aéreas que avançaram expressivos 11,87%. A hospedagem, com aumento de 4,18%, também contribuiu para a pressão no grupo de Transportes. Já os combustíveis recuaram 0,46%, ajudando a aliviar parte dessas altas
Após cinco meses consecutivos de queda, o grupo de Alimentação e Bebidas voltou a subir, com variação positiva de 0,09%. Enquanto a alimentação no domicílio permaneceu em queda, com retração de 0,15%, a alimentação fora de casa acelerou para 0,68%, reforçando a tendência de encarecimento dos serviços.
Considerando a ponderação entre IPCA, IPCA-15 e os pesos dos diferentes setores do ICVA, a inflação do varejo ampliado acumulada em 12 meses - calculada pela Cielo - atingiu 3,8%.
SETORES
Do ponto de vista setorial, o desempenho deflacionado mostrou retração generalizada. O macrossetor de Serviços caiu 2,8%, influenciado principalmente pela queda em Turismo e Transporte e pela retração no segmento de Bares e Restaurantes, que teve forte impacto no resultado. Em Bens Não Duráveis, o recuo foi leve, de 0,2%, com destaque positivo para Drogarias e Farmácias, que ajudaram a suavizar as perdas do varejo alimentício especializado, principal contribuinte negativo do grupo. O pior desempenho ficou com Bens Duráveis e Semiduráveis, que registrou queda de 4,0%. Todos os setores dessa categoria apresentaram retração, com o segmento de Móveis, Eletro e Departamento assinalando a queda menos intensa, enquanto Vestuário e Artigos Esportivos tiveram o recuo mais forte do mês.
REGIONAL
Regionalmente, o ICVA deflacionado com ajuste de calendário mostrou retração em todas as regiões do país. O Sudeste apresentou queda de 0,5%, seguido pelo Nordeste, com - 0,9%; Sul, com -1,0%; Centro-Oeste, com -2,5%; e Norte, que registrou a maior queda, de 4,3%.
Se o efeito da inflação não for levado em consideração, o resultado muda completamente. Na comparação nominal, ainda considerando o ajuste de calendário, todas as regiões tiveram alta, com destaque para o Sul, que avançou 3,5%. Em seguida vieram o Sudeste, com 3,2%; o Nordeste, com 2,9%; o Norte, com 1,7%; e o Centro-Oeste, com 1,4%.
(Redação - Agência Enfoque)




