PMI industrial do Brasil recua em abril

11:59:49 - 03/05/2021 - Notícias

SÃO PAULO, 5/3/21 - As restrições associadas à COVID-19 continuaram impactando negativamente o setor industrial brasileiro, com empresas diminuindo a produção e limitando a compra de insumos em abril, devido a mais um declínio no volume de novos pedidos, segundo dados do Instituto Markit Economics. Dito isso, as vendas e a produção caíram a um ritmo marginal, mais lento do que o registrado em março. Enquanto isso, as empresas limitaram a compra de insumos, mas aumentaram o índice de emprego em meio a projeções otimistas das perspectivas de negócios.

As empresas experimentaram um aumento acentuado dos custos em abril, o que atribuíram à escassez de matéria-prima e à depreciação do real. Os preços de venda também aumentaram, com a taxa de inflação se mostrando a terceira mais rápida desde o início da coleta dos dados da pesquisa, em fevereiro de 2006.

Refletindo amplamente mais uma deterioração acentuada do desempenho dos fornecedores (em geral, um reflexo do aumento das condições de demanda), mas também devido ao crescimento renovado dos índices de estoque de insumos e de emprego, o Índice Gerente de Compras do setor industrial da IHS Markit para o Brasil (PMI) permaneceu acima do limite inalterado de 50.0. O PMI atingiu 52,3 em abril, uma leve queda em relação aos 52,8 de março.

Os fabricantes indicaram um segundo declínio consecutivo no índice de novos negócios no início do segundo trimestre, mas a taxa de contração se atenuou em relação a março, se mostrando superficial. Evidências sugerem que as restrições associadas à COVID-19 e o fechamento de empresas dificultaram a demanda por produtos.

Ao mesmo tempo, a demanda internacional por produtos brasileiros aumentou. O índice de novos pedidos para exportação aumentou pelo terceiro mês consecutivo, embora marginalmente. Com a queda ainda maior do índice total de novos pedidos, as empresas reduziram a produção em abril. A queda na produção foi marginal, entretanto, e atenuada em relação a março.

Em meio a relatos de aumento dos preços de matéria-prima e condições fracas de demanda, os fabricantes de produtos se recusaram a aumentar a compra de insumos em abril. A atividade de compra se mostrou amplamente estagnada, após uma expansão de nove meses consecutivos.
De forma animadora, o índice de emprego no setor industrial aumentou no início do segundo trimestre, com algumas empresas buscando repor funcionários dispensados devido à pandemia, e outras prevendo condições econômicas melhores a médio prazo. O crescimento dos postos de trabalho equilibrou a queda acentuada em março, mas foi, no geral, modesto.

A escassez de materiais, combinada com um real enfraquecido (em relação ao dólar dos EUA), levou ao aumento dos preços de insumos em abril. Embora atenuada em relação a março, a taxa de inflação foi mais forte do que o observado antes de setembro de 2020. Consequentemente, as empresas elevaram seus preços de venda em abril. A taxa de inflação foi a terceira maior desde o início da coleta dos dados, há mais de 15 anos.

Os fabricantes brasileiros continuaram indicando que a escassez de matéria-prima resultou em prazos de entrega mais longos em abril. Embora a menos acentuada desde meados de 2020, a taxa de deterioração do desempenho dos fornecedores foi forte e sem precedentes antes do início da pandemia da COVID-19. As empresas preveem que expansões da capacidade, investimentos, novas parcerias, publicidade e uma disponibilidade maior de vacinas contra a COVID-19 ajudarão no crescimento da produção ao longo do ano. O nível geral de sentimento positivo aumentou em relação a março, e esteve acima da média de longo prazo.
(MR - Agência Enfoque)

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